Bradesco

  • 15/05/2018

    Bradesco insiste em demitir bancários doentes

    Banco dispensa empregados que tiveram o benefício do INSS cancelado pelo Governo Temer.

    Desde que tomou o poder, o Governo Temer cancelou milhares de aposentadorias por invalidez de trabalhadores que sofreram acidentes ou desenvolveram doenças por causa do trabalho. Muitos bancários do Bradesco que se encontram nessa situação enfrentam um pesadelo extra: o banco está demitindo essas pessoas no dia em que retornam ao trabalho.

    O trabalhador que se aposenta por invalidez não pode dar baixa na carteira. Ele fica com seu contrato de trabalho suspenso e a aposentadoria por invalidez é revisada periodicamente. Quando a aposentadoria é cessada pelo INSS, esse trabalhador tem de retornar ao seu antigo local de trabalho e é neste momento que o banco está fazendo o desligamento.

    Ou seja, a pessoa perdeu a saúde e não tem mais condições de trabalhar, ficou muitos anos afastada das funções, e agora teve o benefício cancelado – porque o governo Temer está destruindo a Previdência, sob a justificativa de um alegado déficit que poderia ser resolvido por meio da cobrança de dívidas de grandes devedores. E para completar a situação, o trabalhador é demitido no dia em que deveria retornar ao trabalho.

    Agravante
    A demissão no mesmo dia do retorno ao trabalho carrega uma perversidade a mais. O tempo de afastamento só é contabilizado para aposentadoria se a pessoa trabalha ao menos um dia após retornar ao trabalho. Se ela for demitida no mesmo dia em que reassume as funções, o período em que ficou afastada não é contabilizado para aposentadoria por tempo de serviço.

    Sem exame de retorno
    Para completar, o Bradesco está demitindo essas pessoas sem sequer submetê-las ao exame médico de retorno. Diante da situação, o movimento sindical já acionou o banco cobrando o fim dessas demissões, a revisão das dispensas que já ocorreram e o agendamento de uma reunião.

    Mais de 400 mil benefícios cancelados
    Em abril, o Governo Federal anunciou o cancelamento de 422 mil benefícios sociais. Nessa leva, 228 mil são de auxílios-doença, 151 mil de Benefícios de Prestação Continuada (BPC) e 43 mil de aposentadorias por invalidez.

    Casos de auxílio-doença
    O Sindicato dos Bancários de Curitiba e região alerta ainda que o Bradesco tem desrespeitado também a estabilidade de emprego no retorno do auxílios-doença. “Trabalhadores afastados por auxílio-doença acidentário (B91) têm direito, garantido por lei e pela CCT da categoria, a estabilidade no emprego por 12 meses após o encerramento do benefício. Já os por auxílio-doença previdenciário (B31), que permaneceram afastados por 6 meses ou mais, tem estabilidade de 60 dias após ter recebido alta médica, conforme a Cláusula 27 da CCT”, explica Vanderleia de Paula, secretária de Saúde do Sindicato.

    Em Curitiba, uma bancária que estava afastada por auxílio-doença previdenciário recebeu alta médica e retornou ao trabalho. No dia seguinte, o Bradesco a demitiu. “Por isso, estamos solicitando aos bancários em situação similar que entrem em contato conosco”, pontua Vanderleia. Por isso, se você recebeu alta médica após afastamento, entre em contato com a Secretaria de Saúde do Sindicato.

    SEEB Curitiba, com informações do SP Bancários