Geral

  • 17/07/2017

    Dieese aponta os sinais de piora do mercado de trabalho

    Por um lado, redução do emprego formal e, por outro, aumento de emprego informal.
    Na última sexta-feira, 14 de julho, o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou o primeiro boletim Emprego em pauta, com dados do mercado de trabalho contextualizados na conjuntura política e econômica, publicado logo após a aprovação da Reforma Trabalhista do governo e a publicação da nova lei em Diário Oficial. 

    De acordo com a análise, que parte de uma ligeira recuperação do Produto Interno Bruto (PIB), o crescimento de 1% no trimestre é consequência da sazonalidade do crescimento das exportações agropecuárias, pois os resultados são predominantemente negativos se aumentar a temporalidade de comparação para além do trimestre. A indústria apresentou 0,9% de crescimento e o setor de serviços não alavancou

    O consumo das famílias e o investimento, que são os indicadores de aumento da atividade econômica e da ocupação, continuam em queda. O desemprego se mantém alto, sem sinais de recuperação, de acordo com o Dieese. Em maio, o taxa de ocupação no país foi de 49,5% e, apesar da criação de 34 mil empregos com carteira assinada no mês (na agropecuária), o comércio fechou 11 mil vagas. O salário de admissão é em média 13% menor do que o trabalhador que é desligado recebia. A taxa de desocupação é de 13,3% e corresponde a 13,7 milhões de pessoas em idade economicamente ativa. 

    O número de trabalhadores sem carteira assinada já aumentou 4,1%. Os assalariados com registro em carteira tiveram queda de 3,4%. A queda foi de 2,6% entre os trabalhadores por conta própria. Para o Dieese, esses três dados indicam que os sinais de piora do mercado de trabalho são nítidos. Por um lado, redução do emprego formal e, por outro, aumento de emprego informal. Os rendimentos dos trabalhadores estão estagnados e não há dados que sinalizem melhora do desempenho econômico e do mercado de trabalho.  

    O Dieese utilizou dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - IBGE) a partir do trimestre encerrado em maio de 2017 e encerra a análise afirmando que o quadro de precarização certamente será intensificado com a nova legislação trabalhista. 

    Paula Padilha SEEB Curitiba