Caixa Econômica

  • 07/12/2017

    Ato nacional em Curitiba defende a Caixa 100% pública

    Nesta quinta-feira o Conselho de Administração da empresa vota abertura de capital da Caixa

    Foto: SEEB Curitiba

    Curitiba sediou, na manhã desta quinta-feira, 07 de dezembro, um ato em defesa da Caixa 100% pública, em frente a Agência Carlos Gomes, uma das sedes administrativas do banco na capital. Os bancários que trabalham no prédio foram convidados a participar da mobilização, que ocorre na mesma data em que o Conselho de Administração do banco vota alteração de seu estatuto, para permitir a transformação em sociedade anônima.
    Durante o ato, os dirigentes sindicais entregaram à população uma cartilha explicando a importância de adesão às lutas populares em defesa da Caixa 100% pública. "O governo quer transformar o banco. De viabilizador de sonhos das pessoas para ter como única função das lucratividade para acionistas", resumiu Antônio Fermino, diretor do Sindicato dos bancários e Financiários de Curitiba e região. 

    O presidente da Fetec-CUT-PR, Junior Cesar Dias, lembrou que o que está sendo entregue neste momento é o patrimônio da sociedade brasileira. "Os banqueiros querem atuar livremente no mercado do sistema financeiro sem a interferência do governo e a Caixa ameaça essa atuação dos bancos privados que só visam o lucro, pois se mantém lucrativa mesmo sendo pública e prestando serviços sociais e públicos essenciais", disse o dirigente. "Os banqueiros estão cobrando a fatura do golpe. Mas ainda estamos de pé. O movimento sindical não está derrotado".

    A manifestação nacional teve a a participação de diretores da Federação Nacional dos Empregados da Caixa (Fenae) e dos presidentes das Apcefs (Associações de Empregados) de todo o país, que estão em Curitiba para reunião do Conselho Deliberativo Nacional (CDN) da Fenae e puderam falar um pouco sobre suas realidades locais.

    A bancária Rita Lima, do Sindicato do Espírito Santo, falou sobre os trabalhadores da Caixa, que dão sua vida, fazem do trabalho uma carreira e que isso reflete na preocupação com o povo. "A população pobre desse país precisa de acesso à moradia, aos benefícios sociais, à bancarização, que só é possível em muitos locais por conta da atuação da Caixa", lembrou. "Não é uma empresa qualquer, sem a Caixa não teremos um Brasil para todos".

    O bancário da Caixa Carlos Lima, do Rio de Janeiro, lembrou que a entrega do patrimônio da Caixa é mais uma perda após a entrega do petróleo brasileiro e das petrolíferas para as iniciativas estrangeiras. Ele lembrou que sem o banco público, "não é possível financiar o desenvolvimento de uma nação do porte do Brasil. Nosso papel hoje é estar nas ruas defendendo o patrimônio do povo brasileiro".

    A bancária Raquel, da direção da Fenae em Brasília, falou sobre a unidade nacional nesse dia de luta em defesa da Caixa. "Nesse governo não tem espaço para banco público e para trabalhador como nós". Ela lembrou que a atual conjuntura tem seu aspecto político-partidário. "Se trabalhador votar em trabalhador e elite votar em elite, nós somos maioria", definiu.

    Marcelo Carrion, da Apcef Rio Grande do Sul lembrou que o desmonte promovido pelo "golpe da burguesia" não se trata apenas da Caixa e é para liquidar a classe trabalhadora. "Temos que ter a clareza que defender a Caixa é defender as políticas públicas. Muitos trabalhadores foram ingênuos pedindo o 'Fora Dilma' achando que era contra a corrupção mas era para nos derrubar na luta de classes".

    O presidente da Apcef Paraná, Vilmar Smidarle, disse que não há nenhuma argumentação de que transformar a Caixa em sociedade anônima seja melhor. "A Caixa só cumpre sua missão de defesa de cidadania e de ser voltada para políticas públicas se for 100% pública".

    Marcos Saraiva, do Ceará, lembrou que atos regionalizados estão ocorrendo nesta mesma data em todo o país em frente a agências da Caixa. "Os empregados da Caixa estão nas ruas mas a sociedade precisa vir também".

    A presidenta da Apcef no Piauí, Francisca de Assis, declarou que seu estado possui o menor número de agências bancárias, que a Caixa está em somente 15 municípios e que os bancos privados não estão no interior do Piauí. "O nordeste precisa de empresa pública, precisa de serviço público e precisa de dinheiro públicos para se desenvolver", disse. "Onde houver mobilização nas ruas, os jovens, os aposentados, os estudantes precisam se juntar. A gente não faz a luta através de nomes, a gente faz através de pessoas, que somos todos nós".

    O coordenador da CEE/Caixa, Dionísio Reis, lembrou que o conselho de administração da Caixa, ao votar a abertura de capital, está passando por cima do Congresso Nacional. Jair Pedro Ferreira, presidente da Fenae, lembrou que é função do movimento sindical defender que a população precisa da proteção do Estado, com as empresas públicas.

    O presidente do Sindicato de Curitiba, Elias Jordão, afirmou que essa votação no Conselho de Administração da Caixa, de abrir o capital para o mercado, é possivelmente "a decisão de maior impacto na história da Caixa e também para todos aqueles que dependem da Caixa, trabalhadores e sociedade", alerta. "A luta é muito maior, pelos programas sociais, pelo crescimento do país, pela regulação do sistema financeiro. Eles querem a abertura de capital porque a Caixa é muito rentável", concluiu.


    Paula Padilha SEEB Curitiba