Banco do Brasil

  • 05/02/2017

    Plenária Regional dos bancários do BB delibera por ação coletiva

    Sentimento de indignação e instabilidade marcam o encontro realizado no sábado (4)

    Foi realizado no sábado, 4 de fevereiro, uma Plenária Regional sobre a reestruturação do Banco do Brasil e os impactos negativos na vida dos funcionários desta brusca mudança organizacional. O evento aconteceu na sede Esportiva e Cultural dos Bancários de Curitiba e região. Estiveram presentes representantes dos trabalhadores do interior do Paraná das cidades de Apucarana, Toledo, Cornélio Procópio e do estado de Santa Catarina, além da presença do presidente da Contraf-Cut, Roberto Von Der Osten e do coordenador da Comissão de Empresas,Wagner Nascimento.

    Em pauta, todas as medidas possíveis que o Sindicato está tomando para proteger os direitos dos bancários, para tanto, ouviu dos próprios bancários presentes, todos os problemas que a reestruturação trouxe, o relato da audiência pública ocorrida no dia 26 de janeiro, além da discussão da conjuntura política que está afetando à todos os trabalhadores.

    “Quando estávamos na rua denunciando que alguns grupos estavam tomando o poder para atender aos interesses do capital privado muitos achavam exagero. Mas agora o resultado está aí. Os bancários dos bancos públicos estão sentindo na pele o efeito do neoliberalismo. Estamos de volta aos anos 90. Não podemos permitir a retirada de direitos. Nossa força é nossa luta”, afirma Elias Jordão, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região.

    Recorte Histórico

    Com a presença de trabalhadores que vivenciaram, no passado, o processo de reestruturação, foi possível constatar, através da memória e da experiência, as marcas negativas, os traumas e a lembrança da instabilidade, que levou ao suicídio dezenas de bancários nos anos 90. Os trabalhadores relataram, ainda, como o Programa de Desligamento Voluntário (PDV) modificou a imagem da instituição até ela enfraquecer.

    “O BB, que por décadas foi símbolo de orgulho nacional, e que há anos vem dando lucro, começa a ser atacado. Como convencer a população de que ele não é mais necessário? É sucateando, diminuindo os funcionários para lotar as agências e piorar o atendimento, é desconstruindo a carreira dos funcionários, exatamente como já vimos nos anos 90”, alerta Ana Smolka, diretora do do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região.

    Banco descumpre as próprias regras

    Uma das regras propostas pelo banco no TAO Especial,Sistema de Seleção específico para as reestruturações, é justamente priorizar os excedentes na busca de vagas por grupos de mesmo cargo. Porém, o Sindicato tem recebido denúncias recorrentes de que o banco tem aproveitado o momento de desorganização e está favorecendo a promoção de pessoas que não são excedentes, ao invés de priorizar a realocação dos descomissionados, obrigando desta maneira que estas pessoas aceitem em ficar em um cargo abaixo do qual mantinham. O Sindicato orienta que os bancários enviem email para bb@bancariosdecuritiba.org.br, relatando esses casos, para que seja possível denunciar no MPT.

    Sindicato ajuizará ação coletiva

    Além das audiências públicas realizadas no Ministério Público em Curitiba e no Distrito Federal, o departamento jurídico do Sindicato informou que ajuizará ações coletivas e individuais pedindo danos morais e medidas sociais protetivas para os trabalhadores. Os grupos serão formados por similaridades por cargo e também por tempo de função.

    Na oportunidade, foi esclarecido que os descomissionamentos realizados pelo banco contrariam a súmula 372, que assegura a incorporação do salário percebido por mais de 10 anos na função. Além de ferir um dos principais direitos trabalhistas contidos na Constituição Federal/88 que trata da irredutibilidade salarial previsto no art 7, VI.

    “Se buscarmos alternativas individuais alguns vão conseguir, mas se buscarmos coletivamente conseguiremos muito mais. Coletivamente somos mais fortes e é coletivamente que tomaremos medidas para não ficarmos expostos individualmente”, alerta Alessandro Garcia, o Vovô, diretor Sindicato dos Bancários de Curitiba e região.

    O Sindicato está realizando a coleta de dados para levar ao Ministério Público, no dia 16 de fevereiro, e para tanto, deixa a disposição dos bancários um formulário para o relato de todos os problemas.

    Saiba mais:

    Sindicato defende trabalhadores do BB no Ministério Público


    Atualizado 6/02/2017 às 12:20

    Camila Cecchin SEEB Curitiba