Esta segunda (1º de março) é último dia para inscrição no 1º Ciclo de Debates do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região com o tema “Organização do Trabalho: Inclusão ou reclusão?”. Para bancários sindicalizados, o evento é gratuito.
Na próxima semana, dias 03 e 04 de março, o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região realiza o I° Ciclo de Debates, intitulado “Organização do Trabalho: inclusão ou reclusão?”. O evento será realizado no auditório do Espaço Cultural e Esportivo dos Bancários (Rua Piquiri, 380 – bairro Rebouças).
A intenção das Secretarias de Saúde e da Igualdade e da Diversidade da entidade, promotoras do evento, é debater a organização do trabalho estabelecendo conexão com duas importantes datas no princípio do ano: Dia Internacional de Conscientização sobre as LER/Dort (28 de fevereiro) e o Dia Internacional da Mulher (08 de março).
A professora Nanci Stancki, doutora em Política Científica e Tecnológica, será uma das palestrantes do evento e tratará da temática “Diversidade e gênero no mercado de trabalho”.
Nanci destaca que um dos fatores que contribui para a desigualdade de gênero no mercado é a divisão sexual do trabalho, que ainda considera a mulher como principal responsável pelo cuidado dos filhos e outros familiares. Neste sentido, a ratificação da Convenção 156 da OIT pelo governo federal, que trata da igualdade de oportunidades e de tratamento para os trabalhadores com responsabilidades familiares, é uma das ações que podem incentivar a adoção de medidas visando a construção de relações mais justas no mercado de trabalho.
“A divisão sexual do trabalho certamente impacta negativamente sobre a vida profissional das mulheres, pois o acúmulo das responsabilidades familiares com a sua participação no mercado de trabalho gera sobrecarga de trabalho”, explica Nanci. Há prejuízos também para o homem, pois, segundo a professora: “O trabalho masculino acaba sendo mais explorado, pois o mercado muitas vezes pressupõe que o homem possa se dedicar plenamente ao mundo produtivo e que a ele não caberia as responsabilidades do cuidado com familiares”.
De acordo com Nanci Stancki, o trabalho precisa ser compreendido tanto como aquele que se realiza no mundo da produção quanto o que se desenvolve no espaço da reprodução da vida. “O mundo produtivo não sobreviveria sem aquelas atividades do mundo doméstico, muitas vezes invisíveis, mas fundamentais para a manutenção da vida humana”.
A ratificação da Convenção 156 traria impactos positivos em relação às oportunidades de trabalho, na formação profissional, no relacionamento no ambiente de trabalho, além de condições de trabalho mais justas, sem discriminações e com responsabilidades compartilhadas. O que impede o processo de ratificação, também uma das temáticas debatidas no evento, é a incompreensão e a pressão do setor patronal.
“A consolidação de outros direitos dos trabalhadores, também causou reação parecida. Um exemplo é a ampliação do tempo de licença maternidade, da redução da jornada de trabalho, do direito de greve, entre outras reivindicações”, enfatiza Nanci. “O tempo mostra que os benefícios sociais que se obtém com o respeito aos direitos dos trabalhadores superam possíveis quedas imediatas na produção e nos lucros e que o mercado pode inclusive ganhar quando a qualidade de vida dos funcionários melhora”, destaca.
“Relações justas entre homens e mulheres no âmbito produtivo e reprodutivo só pode impactar positivamente no mercado de trabalho”, opina a professora.
1º Ciclo de Debates - O evento também contará com a participação de Roberto Heloani, Alceu Graczkowski e Ângela Araújo. Outros assuntos abordados serão: assédio moral, sobrecarga de trabalho, condições adversas no ambiente profissional, inserção da mulher no mercado de trabalho, cumprimento de metas, falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, entre outros. A intenção é discutir como criar uma nova organização do trabalho, menos desconfortável para o verdadeiro responsável pela movimentação econômica: o trabalhador.
Programação
I° Ciclo de Debates: “Organização do Trabalho: inclusão ou reclusão?"
03.03.2010 | Quarta-feira
19h • Mesa-redonda: Assédio moral, a violência invisível no trabalho
Debatedores: Roberto Heloani e Alceu Graczkowski;
21h • Encerramento com coquetel.
04.03.2010 | Quinta-feira
19h • Palestra: A inserção da mulher no mercado de trabalho
Palestrante: Ângela Araújo, doutora em Ciência Sociais e professora da Unicamp;
20h30 • Mesa-redonda: Diversidade e gênero no mercado de trabalho
Debatedoras: Nanci Stancki, doutora em Política Científica e Tecnológica e professora da UTFPR, e Ângela Araújo;
22h30 • Encerramento com coquetel.
Inscrições pelo telefone (41) 3015-0523