Sexta-feira, 10 de setembro de 2010

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05/03/2010

Pesquisadoras debatem papel da mulher no mercado

Após transporem boa parte das barreiras que as impediam de entrar no mercado de trabalho, mulheres lutam agora pelo reconhecimento e pela dignidade profissional. 


O segundo dia do 1° Ciclo de Debates do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, intitulado “Organização do Trabalho: inclusão ou reclusão?”, foi dedicado à discussão do papel da mulher no mercado de trabalho e as dificuldades enfrentadas na inserção profissional feminina, entre outras questões de gênero. Para abordar tal temática, estiveram reunidas no Espaço Cultural e Esportivo, na noite de 4 de março, as pesquisadoras Nanci Stankki, doutora em Política Científica e Tecnológica e professora da UTFPR, e Ângela Araújo, doutora em Ciências Sociais e professora da Unicamp.

Nanci iniciou o debate questionando a platéia se a crescente instrução e a participação no trabalho produtivo, de fato, permitiram às mulheres romper com a dominação masculina tão naturalizada. Para responder a pergunta proposta, a pesquisadora expôs como a sociedade capitalista foi, ao longo dos anos, construindo sujeitos desiguais: “Dentre os principais fatores que contribuem com esta construção estão a reprodução da imagem feminina como secundária, a desvalorização do trabalho desenvolvido pelas mulheres e até mesmo a violência contra o sexo feminino”, destacou.

Segundo Nanci, embora nos dias atuais não se tenha mais um modelo tradicional de divisão sexual do trabalho, no qual os homens são encarregados de prover o sustento familiar enquanto as mulheres são responsáveis apenas pelo espaço doméstico, a desvalorização feminina e as práticas de dominação masculina continuam muito fortes. “As desigualdades entre homens e mulheres, no que tange as relações de poder, foram sempre interpretadas como naturais. Desta forma, não há como duvidar que a negação dos direitos humanos que estão presentes na sociedade se reflete no mercado de trabalho”, completa a professora. Para ela, ainda é preciso que ocorram muitas mudanças.

O que vem pela frente – A professora Ângela Araújo começou afirmando que olhar para os trabalhadores como um corpo hegemônico implica em deixar de considerar toda a diversidade da classe e todas as suas questões relativas. “Por isso, reafirmo sempre que a classe operária tem dois sexos”, disse. “Uma vez que ambas as relação – a de classes e a de sexo – são imbricadas, estruturantes da sociedade, não se pode pensar nelas de forma dissociada”, acrescentou.

A pesquisadora também apresentou uma série de dados sobre o mercado de trabalho brasileiro, que demonstram a crescente participação feminina. A partir de 1995, a inserção profissional das mulheres aumenta cerca de 2% ao ano e, somando os últimos 10 anos, a ocupação de vagas pelo sexo feminino cresceu aproximadamente 30%. “Essa participação cada vez maior das mulheres na População Economicamente Ativa (PEA) é o que eu chamo de feminização do mercado de trabalho”, afirmou.

No entanto, Ângela faz uma ressalva: se, por um lado, as mulheres têm conquistado espaço profissional, por outro, não se pode deixar de observar que a grande maioria delas se dirige para o setor de baixa produtividade da economia, ou seja, aquele dominado por empregos informais, precários e sem proteção. “Este é o grande desafio que os movimentos sociais e sindicais têm pela frente; e terão que estar preparados para enfrentá-lo”, finalizou a professora.

Confira cobertura do primeiro dia do 1º Ciclo de Debates


Por: Renata Ortega
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