As vitórias e conquistas da categoria
bancária ao longo do tempo
1904
São criadas as primeiras caixas de montepio
e beneficentes, inclusive a Previ.
1933
Jornada de 6 horas
1934
Primeira greve geral da categoria
Criação do Instituto de Aposentadoria e Pensões
dos Bancários
Estabilidade a partir de dois anos de trabalho
1940
Salário mínimo, com valores regionalizados,
para todos os trabalhadores.
1943
Consolidação das Leis de Trabalho
(CLT)
1951
Instituição do Dia do Bancário
(28 de agosto)
1961
13º salário
1962
Extinção do trabalho aos sábados
– jornada de 30 horas semanais
Salário mínimo profissional para bancários
1964 - 1984
Resistência à repressão,
tortura e morte no período de Ditadura Militar.
Entre 1971 e 1975, intervenção
no sindicato.
Em 1979, surge o novo sindicalismo através
da liderança de Luiz Inácio da Silva no ABC Paulista.
1983
Fundação da Central Única
dos Trabalhadores (CUT)
1984
Campanha pelas Diretas já!
1985
CEF: Jornada de seis horas
Primeira greve com abrangência nacional da categoria bancária
Criação do Departamento Nacional dos Bancários
(DNB), transformado posteriormente em Confederação
Nacional dos Bancários (CNB).
1986
Auxílio-creche
CEF: Direito à Sindicalização
1990
Vale-Refeição
1992
Assinatura da primeira Convenção
Coletiva Nacional de bancos privados.
1993
Sindicato dos Bancários de Curitiba
se filiou a CUT.
1994
Vale-alimentação
1995
Participação nos Lucros e Resultados
(PLR)
1997
Complementação salarial para
bancários afastados por doença ou acidentes
1998
Comissão Permanente de Saúde
conclui o Programa de Prevenção, Tratamento e Readaptação
de LER/DORT.
Primeira tentativa de realização de uma mesa única
de negociação para a campanha salarial.
2000
Inserção da igualdade de oportunidades
na Convenção Coletiva.
2003
Primeira Campanha Salarial Unificada da categoria
bancária.
2004
Maior paralisação da categoria
em Curitiba (28 dias de greve).
HSBC: Liminar obriga que o banco emita a Comunicação
de Acidente de Trabalho (CAT) e conceda estabilidade aos bancários
em tratamento.
2005
CEF: Conquista da igualdade do valor da cesta-alimentação
em relação aos demais bancários.
Banco Bradesco isenta funcionários do pagamento de tarifas
bancárias.
2006
Fundação da Contraf-CUT. Amplia-se
a atuação da confederação, que passa
a representar todos os trabalhadores do ramo financeiro.
Implantação de grupo de trabalho para debater assédio
moral.
Pela primeira vez, CEF e BB participaram de todas as etapas de negociação
da Campanha Salarial e assinam a Convenção Coletiva
de Trabalho junto aos demais bancos.
Conquista da PLR adicional.
A história mostra que as conquistas da categoria bancária
foram constantes
Várias lutas foram travadas na história
do movimento sindical bancário com o intuito de realizar
novas conquistas e preservar os direitos
dos trabalhadores.
A Caixa Montepio dos Funcionários
do Banco da República do Brasil (Previ) iniciou
suas atividades em 1904 com um propósito bem definido: "garantir
o pagamento de uma pensão mensal ao herdeiro do empregado
que do Montepio fizer parte, na forma estabelecida pelos estatutos".
Em 1933, alguns trabalhadores bancários passaram
a ter uma jornada de 6 horas, 36 horas semanais
de trabalho. O direito foi ampliado nas greves de 1952 e 1954. Em
1958, a jornada foi estendida a todos os funcionários dos
bancos. Somente nos anos 60, com muita luta, os bancários
conquistaram o repouso aos sábados, estabelecendo-se uma
jornada de 30 horas semanais.
Em 1934 foi deflagrada a primeira greve
geral da categoria. As principais vitórias desta
greve foram a estabilidade a partir dos dois anos de trabalho,
para os trabalhadores de outras categorias a estabilidade era adquirida
após dez anos e a criação do IAPB - Instituto
de Aposentadorias e Pensões dos Bancários.
A criação do Instituto, gerido por bancários,
foi realizada por meio de um decreto do presidente Getúlio
Vargas. O IAPB, subordinado ao então Ministério do
Trabalho Indústria e Comércio, tinha como finalidade
conceder aos seus associados os benefícios de aposentadoria,
pensão e assistência médica. O IAPB foi extinto
em 1967, sob protesto dos bancários, com a unificação
das instituições previdenciárias e criação
do Instituto Nacional da Previdência Social – INPS.
O salário mínimo
foi conquistado pelos trabalhadores em 1940, no governo do presidente
gaúcho Vargas. O mínimo tinha valores diferenciados
para cada estado brasileiro.
A Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT) (decreto-lei de 1943) foi sancionada por
Vargas com o intuito de unificar toda legislação trabalhista
existente no Brasil. Seu objetivo principal é a regulamentação
das relações individuais e coletivas do trabalho e
está em vigor até os dias de hoje.
Uma assembléia histórica e a greve
de 69 dias do ano de 1951 deram origem ao Dia do Bancário,
comemorado em 28 de agosto.
No início da década de 60, os bancários
engrossaram as greves promovidas pelo movimento sindical brasileiro,
as principais bandeiras das paralisações eram reajuste
salarial, salário família e 13º salário.
A forte mobilização resultou na aprovação,
em 1961, da Lei 4.090, que instituiu o 13º salário.
Outra conquista da categoria: os bancários recebem a antecipação
da metade do 13° no mês de maio (a CLT a prevê para
novembro).
Em 1962, a mobilização da categoria
assegurou a instituição do salário
mínimo profissional, que estabelecia para os bancários
um percentual acima do mínimo regional.
No período de 1964 – 1984,
conhecido como “anos de chumbo”, a Ditadura
Militar no Brasil, o movimento sindical resistiu, não
apenas as intervenções, mas também as cassações
e perseguições aos dirigentes. Em 1968, os bancários
resistiram com bravura a repressão, tortura e a morte resultantes
do Ato Inconstituicional número 5. Entre 1971 e 1975, o Sindicato
dos Bancários de Curitiba ficou sob intervenção.
Em 1979, surge o novo sindicalismo com a liderança de Luiz
Inácio da Silva no ABC Paulista. A greve de 1979 abrangeu
15 estados, com 430 paralisações e 3 milhões
de trabalhadores.
A Central Única dos Trabalhadores
(CUT) foi fundada em agosto de 1983, com o intuito de defender
os interesses imediatos e históricos dos trabalhadores, assegurando
melhores condições de vida e de trabalho, além
do engajamento no processo de transformação da sociedade,
com liberdade e autonomia sindical.
Em 1984, o movimento sindical lidera o início
da campanha das Diretas já. Apesar de intensa mobilização
em todo o país, a eleição direta para presidente
da República foi rejeitada pela Câmara dos Deputados.
Em 1985, os trabalhadores da Caixa Econômica
Federal conquistaram a jornada de seis horas. No mesmo ano, foi
realizada a primeira greve com abrangência nacional
da categoria bancária. As paralisações
continuavam sendo consideradas ilegais pelo governo. Ainda assim,
a deflagração de greve durante a campanha salarial
mobilizou a categoria em todo o país. Depois do golpe militar
de 1964, foi a maior paralisação de bancários
ocorrida no país, com adesão de 800 mil trabalhadores.
Pela primeira vez foi formado um Comando Nacional.
Neste mesmo ano foi criado o Departamento Nacional dos Bancários
(DNB), transformado posteriormente em Confederação
Nacional dos Bancários (CNB).
No ano seguinte (1986), os funcionários da
Caixa Econômica Federal conquistam o direito à
sindicalização deixando de ser economiários
e passando a ser reconhecidos como bancários.
O auxílio-creche para filhos
até 70 meses foi conquistado na forte campanha salarial de
1986 e ampliado em 1992. Hoje o auxílio reforça o
orçamento dos bancários que têm filhos de até
6 anos e 11 meses em creches ou aos cuidados de babá.
Nos anos 90, os bancários também conquistaram
o vale-refeição. Um reforço
mensal muito importante para os trabalhadores. O valor foi unificado
em 1991 e em 1994 este direito foi complementado com o vale-alimentação
para compras em supermercado. Em 2004, os bancários conquistaram
uma cesta-alimentação extra.
Em 1992, foi assinada a primeira Convenção
Coletiva Nacional, um acordo único e com validade
para todo o país. A categoria permanece como a única
com um acordo coletivo nacional.
No ano seguinte (1993), o Sindicato dos Bancários
de Curitiba se filiou a Central Única dos Trabalhadores.
A Participação nos Lucros
e Resultados (PLR) foi conquistada pelos bancários
em 1995. A categoria foi a primeira a conquistar PLR, agregando-a
na convenção coletiva de abrangência nacional.
As regras da PLR são aperfeiçoadas e ampliadas a cada
ano. Os valores ainda são muito baixos em relação
a lucratividade dos bancos e a nossa luta é para que essa
distribuição seja mais justa.
Foi na campanha salarial de 1997 que os bancários conquistaram
complementação salarial para afastados por
doença ou acidentes por um período de 24
meses – até ali era por 18 meses.
Os bancários conquistaram a criação
de uma comissão permanente de saúde,
que concluiu, em 1998, o Programa de Prevenção, Tratamento
e Readaptação de LER/DORT. Também foi neste
ano a primeira tentativa de realização de uma mesa
única de negociação, com bancos públicos
e privados, para a campanha salarial.
A igualdade de oportunidades foi
inserida na Convenção Coletiva de 2000. Os patrões
e os trabalhadores se comprometeram a buscar mecanismos de proteção
contra a discriminação e a favor da igualdade. Desde
1996 a Confederação Nacional dos Bancários
lutava por isso.
Em 2003, toda a categoria bancária, tanto
funcionários de bancos públicos como privados, brigou
pelo mesmo índice de reajuste salarial na primeira Campanha
Salarial Unificada realizada pela categoria.
Em 2004, foi realizada a maior greve da categoria
em Curitiba, os bancários permaneceram 28 dias parados.
Neste ano, o movimento sindical também conseguiu liminar
obrigando ao banco HSBC a emitir Comunicação de Acidente
de Trabalho (CAT) e conceder estabilidade para os bancários
em tratamento.
Somente no ano seguinte, os bancários da
Caixa Econômica Federal conquistaram a igualdade de valor
da cesta-alimentação em relação
aos demais bancários. Os trabalhadores do Bradesco, por sua
vez, conquistaram a isenção de tarifas bancárias.
Fundada em janeiro de 2006, em uma assembléia
ocorrida em Curitiba (PR), a Confederação
Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT)
tem o objetivo de atender as diversas categorias envolvidas em atividades
do sistema financeiro, muitas das quais permanecem à margem
da Convenção Coletiva Nacional dos Bancários,
embora realizem as mesmas atividades.
Também em 2006, os bancários conseguiram
a implantação de um grupo de trabalho, composto por
representantes dos trabalhadores e dos patrões, para debater
o assédio moral nas instituições
financeiras. Foi um grande avanço no processo negocial da
campanha salarial 2006. Outra conquista da última campanha
salarial foi a participação dos bancos públicos
federais em todas as etapas de negociação
e a assinatura conjunta das instituições bancárias
na Convenção Coletiva de Trabalho. Os bancários
também conseguiram a PLR adicional, nova
conquista agregada na Convenção.
Privatização
e Vergonha: seis anos sem o Banestado
Dia 17 de outubro de 2000 é uma data que
está na mente de muitos trabalhadores paranaenses. Data que
remete a um grande pesar, o processo de privatização
e a venda do Banestado. Foi uma vitória da doutrina neoliberal,
consagrada no Paraná pelo governo Lerner e que vinha ocorrendo
pelo Brasil afora, graças as privatizações
antiéticas, imorais, fundamentadas na corrupção
e na má gestão.
O Banestado foi alvo de uma campanha mentirosa,
coordenada por instituições financeiras em parceria
com o governo Lerner, com intuito de difundir junto ao povo do Paraná
a idéia de que a capacidade gerencial do Estado estava esgotada
e que o banco precisava ser vendido.
Vergonha é o sentimento de quase dez mil
bancários e bancárias que foram demitidos do Banestado
após a privatização. Em sua maioria, eram funcionários
com mais de quinze anos de casa, com idade média acima dos
40 anos.
Com a privatização, o governo Lerner
comprometeu 13% do orçamento do Estado, ou seja, R$ 53 milhões
mensais por 30 anos (destes, transcorreram apenas seis). Um dinheiro
que seria melhor aproveitado se fosse aplicado na saúde,
segurança e educação ou em crédito aos
pequenos produtores e micro e pequenas empresas.
A privatização também onerou
os pequenos municípios, após o fechamento das agências
e postos de atendimento. Desta forma, o capital foi deslocado para
os grandes centros, gerando o desemprego e desaquecimento da economia
nas pequenas comunidades.
A vitória de um governo democrático
e popular em 2002, interrompeu a trajetória de entrega do
patrimônio público e colocou na ordem do dia projetos
sociais que dependem diretamente destes grandes bancos.
Conheça a história do Sindicato
dos Bancários
Não parece, mas o Sindicato dos Bancários
de Curitiba e Região Metropolitana possui 62 anos de história!
O processo de organização da categoria bancária
no Brasil, no entanto, começa a partir de 1910, culminando
com a fundação do primeiro Sindicato dos Bancários
em 1923, em São Paulo. Em 1936 surge a primeira associação
bancária no Paraná e em 1942 é fundado o Sindicato
dos Bancários de Curitiba.
Nos anos que se seguem a entidade participa de diversos
movimentos, como a primeira grande greve nacional após o
fim da ditadura Vargas, em 1946, e a greve nacional dos bancários,
em 1962. O golpe militar, no entanto, gera a intervenção
na entidade e a perseguição a vários dirigentes.
A luta contra a ditadura
Em 1966 os bancários combativos voltam a se articular para
a retomada do Sindicato, ganhando as eleições com
tranquilidade, mesmo com as tentativas de impugnação
dos representantes do governo. Assim, os contatos com sindicatos
em nível nacional recomeçam, culminando com uma grande
greve nacional em 1968. O movimento obteve reajuste real e a criação
do anuênio. O AI-5, em dezembro do mesmo ano, no entanto,
endurece ainda mais o regime e em 1971 a entidade sofre nova intervenção,
com a prisão e tortura de um de seus principais dirigentes,
Claúdio Ribeiro.
A entidade permanece nas mãos da ditadura
durante toda a década de 70. O movimento bancário
de luta, no entanto, começou a se reerguer em 1977 com sua
trajetória se mesclando ao nascimento de um grande marco
no movimento sindical brasileiro: a criação da CUT
(Central Única dos Trabalhadores) em 1983.
Na década de 80, mesmo sem estar no sindicato,
a oposição lidera a categoria de fato, encampando
a adesão à primeira grande greve geral dos bancários
e também a primeira grande greve no antigo Banestado, em
1985. No mesmo ano a categoria também consegue incorporar
os funcionários da Caixa, até então considerados
economiários.
Retomada do Sindicato
Em Curitiba a oposição orientava-se pelos princípios
da CUT, através do seu Departamento Nacional dos Bancários
(DNB, embrião da atual CNB - Confederação Nacional
dos Bancários). Essa estrutura foi essencial para o crescimento
do novo sindicalismo no Paraná, e em todo o país,
pois a categoria conquistou a unificação da data-base
em 1982.
O período entre 1987 e 1993, no entanto,
foi conturbado por divisões no movimento. Uma parte dos oposicionistas
realizou uma composição com a "situação",
ocupando a gestão do Sindicato entre 1987 e 1990. Nas eleições
de 1990, no entanto, uma nova divisão dos cutistas em duas
chapas gera uma derrota nas eleições. A derrota alia-se
à ascenção de Collor e das políticas
neoliberais. Foi o início de um forte arrocho salarial no
Banco do Brasil, por exemplo, e da adoção de PDV's
(Planos de Demissão Voluntária).
O surgimento da Fetec/CUT/PR (Federação
dos Bancários da CUT) e o movimento pelo impeachment de Collor
unificam novamente a oposição. Em 1983 o chamado MOB
(Movimento de Oposição Bancária) finalmente
chega ao Sindicato, mantendo gestões combativas (93/96,96/99,99/02,02/05)
desde então. Como marcos desse período podemos citar
a criação da CNB em 1992, com a assinatura, pela primeira
vez, da Convenção Coletiva Nacional, que formaliza
legalmente a unificação nacional das negociações.
No mesmo período ocorre a mudanças nos pisos salariais,
a diferenciação para os bancários com mais
de 90 dias de trabalho e a conquista da PLR (Participação
nos Lucros e Resultados). A década de 90 também foi
de forte resistência contra a ameaça das demissões,
defesa de direitos e dos salários, em um conjuntura fortemente
desfavorável aos trabalhadores.
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